Há várias formas de prolongar a vida das cordas e até de reaproveitar cordas velhas. Para além da manutenção normal, há alguns truques que partilho aqui para devolver às cordas antigas um som novo — e poupar dinheiro.
Servem para vários instrumentos: guitarras, cavaquinhos, ukuleles ou baixos, acústicos ou elétricos.
Se já conheces alguns, provavelmente já te fartaste do som de umas cordas velhas e foste experimentando soluções — ou não tinhas cordas novas à mão. Como se diz, «quem não tem cão caça com gato».
Guitarra clássica (cordas de nylon)
1. Devolver o brilho às cordas velhas
Quando as cordas já não soam como antes, um dos truques mais eficazes é este:
Desaperta totalmente as três cordas mais graves (Ré, Lá e Mi) e deixa a guitarra assim durante 1 ou 2 dias.

Porquê? Ao aliviar a tensão durante muitas horas, quando a voltas a pôr a corda recupera boa parte do timbre original. As cordas mais finas (Mi, Si e Sol) são muito mais estáveis e mantêm o som durante muito mais tempo, por isso não precisam.
Passados 1 ou 2 dias, volta a apertar e a afinar: vais notar logo a diferença no timbre. Quando as cordas voltarem a perder som, repete o processo as vezes que quiseres.
Eu próprio tenho o hábito de, por vezes, deixar as cordas desapertadas durante a noite, e no dia seguinte noto uma melhoria. Também resulta com cordas de aço, embora a diferença se note mais no nylon.
2. Aproveitar a corda nova enrolada na cabeça
Já reparaste na quantidade de corda nova que fica enrolada no carrilhão, na cabeça da guitarra?

As cordas novas costumam ser mais compridas do que a distância entre a ponte e a cabeça. Se enrolares o excedente corretamente, fica ali muita corda em perfeito estado que quase nunca se aproveita.
Atenção: há marcas em que as cordas vêm com o comprimento mínimo, e aí este truque não funciona. Por isso vale a pena comprar um bom jogo de cordas. As marcas mais fiáveis e com bom comprimento são a D’Addario, Savarez, Hannabach, Augustine, Jim Dunlop, La Bella, Fender e Ernie Ball. Tens aqui uma lista das melhores cordas de nylon para guitarra clássica (em inglês).
Quando, passados meses, as cordas já estiverem velhas:
Começa pela 6.ª corda: desaperta-a e puxa o excedente pouco a pouco, para que a parte nova chegue às primeiras casas do braço. Repete até à 4.ª corda (Ré).
No meu caso, a «corda nova» que estava ali sem uso chegou quase à 7.ª casa — e nota-se bem a diferença entre a parte nova e a velha.
Depois, ajusta a corda na ponte: volta a entrelaçá-la na nova posição e corta a sobra.

No fim, tens a sensação de corda nova e um som muito melhor. A parte nova nunca cobre o braço todo, claro, mas fica nas primeiras casas — normalmente as mais usadas.
Podes fazer o mesmo nas cordas mais finas (Mi, Si e Sol), mas, como disse, não vais notar grande diferença.
Nota: também podes puxar a parte nova até à zona da boca da guitarra. Nesse caso tens de tirar a corda toda, e convém ver primeiro se compensa: ao entrelaçar a corda na ponte perdem-se alguns centímetros, por isso confirma se tens corda nova suficiente.
Guitarra elétrica e acústica (cordas de aço)
3. Tirar a ferrugem e devolver o brilho
Nas cordas de aço, uma das queixas mais comuns é a oxidação: ao fim de uns meses forma-se uma camada de ferrugem à volta das cordas. Mesmo limpando-as com regularidade — o que aumenta muito a duração —, a ferrugem acaba por aparecer e estraga o timbre.
Para tirar a maior parte da ferrugem, usa uma lixa de papel fina (eu uso normalmente a de grão 1200; quanto maior o número, mais fina é a lixa). O objetivo é só tirar o excesso de ferrugem sem estragar o revestimento da corda: assim que aparecer uma cor mais clara, para — para não «lixar» literalmente a corda. :)

Faz a limpeza com cuidado e vai tirando a sujidade com um pano. Ao fim de uns minutos, as cordas ganham um brilho novo e recuperam boa parte do som e da cor originais.
Muitos guitarristas têm receio deste método e acham que vão estragar as cordas. Feito com cuidado, acontece exatamente o contrário: damos vida às cordas velhas e, em vez de as deitar fora e gastar sempre dinheiro em novas, reaproveitamo-las. Só experimentando é que se comprova. Funciona em qualquer instrumento com cordas de aço já oxidadas.
Nota: os dois truques das cordas de nylon também resultam nas cordas de aço — elas «renascem» na mesma —, mas a diferença nota-se mais no nylon.
Reaproveitar as cordas é uma ótima forma de poupar dinheiro e de tirar o melhor som possível do instrumento. Experimenta e vê a diferença!
Boa música!
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